DOENÇAS GASTROINTESTINAIS

Doenças intestinais inflamatórias (DII)

As doenças intestinais inflamatórias caracterizam-se por inflamação do intestino, de caráter crônico e recidivante, cuja etiopatogenia parece ser decorrente de uma resposta inflamatória inespecífica, resultante da interação entre fatores genéticos, ambientais e imunológicos.

As doenças intestinais inflamatórias frequentemente estão associadas a deficiências nutricionais importantes. A ocorrência de obstrução intestinal, a atividade clínica da doença e a necessidade de grandes ressecções intestinais, podem agravar ainda mais estas deficiências, ressaltando a importância do suporte nutricional no manuseio destes pacientes, favorecendo a restituição da massa corporal, o restabelecimento das funções orgânicas e a prevenção de complicações sépticas.

A quebra da barreira mucosa (agentes infecciosos ou toxinas) e a exposição contínua a antígenos da dieta perpetuam a cascata inflamatória. Esta inflamação crônica resulta da interação entre o estímulo antigênico e fatores genéticos de suscetibilidade individual, que geram a resposta imune individual, e a amplificação da resposta inflamatória. Torna-se mais importante que o próprio evento inicial causador das alterações histológicas e funcionais presentes nas DII.

Estas patologias se manifestam pelo número aumentado de evacuações, muitas vezes com sangue, dores abdominais, náuseas, vômitos, anorexia e desnutrição.

É importante identificar e corrigir os fatores relacionados ao desenvolvimento da desnutrição, os quais podem estar associados a alterações locais ou sistêmicas próprias da doença ou a efeitos colaterais da medicação.

Estes fatores estão relacionados abaixo:

Principais fatores relacionados à desnutrição nas DII

  • Ingestão via oral insuficiente Dor abdominal, diarreia, anorexia, náuseas, vômitos, restrição alimentar, oferta dietética inadequada, efeitos da medicação;
  • Má absorção Extensão da doença, ressecções cirúrgicas, deficiência de sais biliares, proliferação bacteriana, fístulas digestivas, efeitos da medicação;
  • Aumento das perdas intestinais Sangramentos, fístulas, enteropatia perdedora de proteína ou de sais biliares, eletrólitos ou minerais;
  • Aumento das necessidades nutricionais Período de crescimento, inflamação, sepse, fístulas, febre, renovação celular, atividade da doença.
  • Adaptado de Campos (2001).

A ressecção do íleo terminal provoca deficiência de sais biliares e de vitamina B12, levando à má absorção de gorduras e vitaminas lipossolúveis. A má absorção pode ainda ser agravada pelo supercrescimento bacteriano, resultante de fístulas, síndrome da “alça cega” e estenoses.

Os próprios agentes farmacológicos utilizados podem contribuir para a deficiência de nutrientes, como os corticoides (deficiência de cálcio), sulfasalazina (folatos), colestiramina (vitaminas). A sulfasalazina, e o metronidazol também provocam náuseas, vômitos e dispepsia.

Além disso, outras deficiências nutricionais podem surgir como anemia, hipoalbuminemia, metais, elementos-traço, vitaminas, e redução da atividade de antioxidantes enzimáticos (superóxido dismutase, catalase, glutationa peroxidase) e não enzimáticos (vitaminas C, E, beta-caroteno, glutationa, taurina). Estas alterações tornam-se mais marcantes durante a fase aguda da doença, trazendo maior morbidade ao paciente e retardando sua recuperação funcional.

A avaliação nutricional (inquéritos nutricionais, exame físico, medidas antropométricas e exames bioquímicos) permite o reconhecimento precoce da desnutrição e a instituição das medidas necessárias para reverter o quadro.

Os principais objetivos da terapia nutricional são a manutenção e/ou recuperação do estado nutricional, obtenção de uma possível remissão da atividade da doença, redução das indicações cirúrgicas e as complicações operatórias.

A conduta nutricional deve ser individualizada, levando em consideração as necessidades do paciente, suas restrições e intolerâncias. No caso de dieta oral, deve-se restringir a lactose em caso de intolerância, restringir sementes, grãos de milho, cascas de frutas e de vegetais em caso de estenose intestinal. No caso de ressecções ileais ou doença ativa neste segmento, é necessário restringir a gordura, e no caso de esteatorreia, deve-se substituir os lipídios por TCM.

Não sendo possível manter a via oral, no caso de exacerbações agudas da doença, preparo pré-operatório de pacientes gravemente desnutridos, fístulas digestivas, intestino curto, utiliza-se a enteral, a não ser em casos de hemorragia gastrointestinal maciça, perfuração ou obstrução intestinal, megacólon tóxico e alguns casos de síndrome do intestino curto.

A indicação de NPT visa à remissão do surto agudo, com diminuição da dor abdominal e ao controle parcial de quadros suboclusivos, entretanto, o desuso do TGI pode ocasionar atrofia da mucosa intestinal, translocação bacteriana, alterações enzimáticas, hormonais, colestase intra-hepática e disfunção macrofágica.

FONTE: https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/nutricao/doencas-gastrointestinais/22923

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