OS COMPOSTOS QUÍMICOS DA CANNABIS

A planta de cannabis contém mais de 600 compostos químicos. Os dois principais são o CBD e o THC. Além deles, existem os canabinoides menores (assim chamados por se encontrarem em menor quantidade na planta), como o CBG, CBC e CBN, e os terpenos (encontrados em especiarias, frutos e vegetais), que são aromáticos, dando cheiro, cor e sabor à planta de cannabis.

Cada composto tem um papel importante, de propriedades distintas, e agem de forma independente no efeito medicinal da planta de cannabis; mas essa resultante é ampliada quando todas essas substâncias são usadas juntas e combinadas. A interação entre canabinoides e terpenos é conhecida como Efeito Entourage: todos os fragmentos da cannabis funcionam melhor juntos do que de forma individual.

Veja também: Sistema Endocanabinoide e a Regulação Fisiológica

Com o passar do tempo, os pacientes podem desenvolver tolerância à cannabis, mas esse cenário é facilmente revertido: parar o medicamento por, geralmente, três dias e voltar a utilizá-lo normalmente depois. Isso porque quando o corpo se expõe a níveis extremos da substância, ele apresenta menos receptores disponíveis, ou seja, ao invés do corpo exigir mais, por exemplo, do THC, ele faz a própria regulação decrescente de receptores aos quais o composto pode se ligar, logo você não se torna intolerante ao medicamento fitoterápico da planta de cannabis. O responsável por isso é o Sistema Endocanabinoide, que controla e estabelece um limite de quanto o corpo pode suportar, mantendo a sua homeostase.

O uso medicinal da planta, ao que chamamos de medicamentos fitoterápicos, atua de forma diferente dos fármacos convencionais de molécula única, apesar de, no caso da planta de cannabis, serem submetidos aos mesmos ensaios clínicos. O governo dos EUA classifica a cannabis como uma substância do Anexo I, por ter um potencial de ser usada de forma abusiva para fins que não são medicinais. Caso a cannabis fosse removida desta lista, os medicamentos canabinoides poderiam ser categorizados como remédios botânicos e a sua regulamentação poderia ficar sob essa orientação, já que esses medicamentos naturais não são viciantes como os opioides e além de potencializar o impacto analgésico dos opioides, ainda  ajudam a aliviar os efeitos colaterais causados pela abstinência dos mesmos.

 

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